| Avaliação Laboratorial do Sistema
Imunológico O sistema imunológico é dividido didaticamente
em inespecífico, representado pelos sistemas de fagócitos e Complemento
(C), e o específico, representado pela imunidade mediada por linfócitos
B (humoral) e linfócitos T (celular). Entretanto, o que ocorre é
uma ampla interação entre os diversos componentes da resposta imunológica,
que permite prevenir e debelar as infecções, de forma mais eficiente.
Aqui serão enfatizadas as provas laboratoriais mais utilizadas na avaliação
imunológica de pacientes com infecções de repetição.
As deficiências predominantemente humorais representam cerca de 60%
das imunodeficiências primárias, em seguida temos as deficiências
celulares e de fagócitos responsáveis por cerca de 20 e 18%, respectivamente.
As mais raras são as do Sistema Complemento (C). No anexo I encontra-se
a classificação das ID, segundo a IUIS. A avaliação
da competência imunológica geralmente requer laboratório especializado
e o custo financeiro é elevado. Em se tratando de pacientes pediátricos,
outro aspecto a ser considerado é a escolha de métodos passíveis
de serem executados com a menor quantidade possível de sangue. Por estes
motivos, na suspeita de uma imunodeficiência, deve-se solicitar os exames
que vão dar mais informações de acordo com a história
clínica do paciente. Por exemplo, infecções de repeticão
por bactérias extra-celulares sugerem deficiência predominantemente
de anticorpos ou deficiência de proteínas do sistema Complemento.
Por outro lado, infecções por bactérias intra-celulares e
germes oportunistas sugerem deficiência da imunidade celular. Nas deficiências
de fagócitos é comum história de abscessos de repetição
tendo, principalmente, o Staphilococcus aureus como agente etiológico.
O diagnóstico de algumas ID pode ser afastado, com pequeno custo,
se forem utilizadas provas de triagem bem selecionadas. Um hemograma completo
é certamente um dos exames mais informativos e de maior relação
custo- benefício. Estando a contagem de neutrófilos normal, pode-se
afastar a hipótese de neutropenias congênitas ou adquiridas e defeitos
de adesão leucocitária. Número de linfócitos normal
para idade exclui a imunodeficiência grave combinada e defeitos graves de
células T. Na síndrome de Wiskott-Aldriclh, temos presença
de plaquetopenia com presença de microplaquetas. Na suspeita de deficiência
de anticorpos, as dosagens das imunoglobulinas séricas (A, G, M) fornecem
informações úteis. O método mais barato, e ao mesmo
tempo eficiente, para se avaliar a resposta imune celular, é a realização
de testes cutâneos de hipersensibilidade tardia com o maior número
possível de antígenos. Uma boa bateria de antígenos deve
incluir PPD, SK-SD (varidase), tétano e candidina, por serem antígenos
contra os quais a maioria da população está sensibilizada.
Desta forma, torna-se altamente improvável que um indivíduo normal
seja negativo a todos estes antígenos por falta de contato prévio.
Em se tratando de crianças, entretanto, essa chance é muito elevada
e, nesse caso, o teste com a Candidina é o que tem maior probabilidade
de dar resultado positivo. No Brasil, devido a obrigatoriedade de vacinação
precoce com BCG, o teste com o PPD é a melhor escolha. Se o teste for positivo,
caracterizado por eritema e nódulo após 24-48 horas, estarão
praticamente afastadas as suspeitas de deficiências graves de células
T. O tamanho do nódulo não tem importância. Na suspeita
de Imunodeficiência, independente do setor que possa estar acometido, os
exames inicias a serem solicitados estão no Quadro I. De acordo com a suspeita
diagnóstica devem ser solicitados exames mais específicos detalhados
a seguir. | Quadro
I | Exames Iniciais na Suspeita de uma
Imunodeficiência 1.Hemograma 2.Níveis séricos de
Imunoglobulinas : IgG, IgA e IgM 3.Teste cutâneo de Hipersensibilidade
Tardia (PPD) |
I - Avaliação da Imunidade
Humoral As ID humorais são as mais frequentes. A história
clínica de infecções bacterianas de repetição
como pneumonia, otite média aguda, meningite ou sinusite nos leva a suspeitar
de uma deficiência de anticorpo. Ao exame físico é importante
que se verifique a presença de órgãos linfóides que
podem estar reduzidos ou ausentes nestes pacientes. A ausência de adenóide,
comprovada pela radiologia de cavum, em crianças com infecções
de repetição sugere, fortemente, uma agamaglobulinemia. Na
suspeita de Imunodeficiência predominantemente humoral os exames iniciais
a serem solicitados são: 1.Dosagem das imunoglobulinas séricas
(IgA, IgM, IgG). É o primeiro exame a ser solicitado na suspeita
de Deficiência de Anticorpo. Atualmente, este exame é realizado por
um grande número de laboratórios em nosso meio. Por serem proteínas
que existem em grande quantidade no nosso organismo, podem ser utilizados os métodos
de imunodifusão radial ou nefelometria. Entretanto, alguns serviços,
utilizam um método mais sensível como o imunoenzimático (ELISA).
A sensibilidade e a especificidade dos três métodos são adequadas.
Deve-se sempre comparar os resultados encontrados com valores de normalidade para
mesma faixa etária. A IgG é a imunoglobulina de maior concentração
plasmática, correspondendo a cerca de 80% das imunoglobulinas séricas
sendo a classe principal das defesas sorológicas do nosso organismo. A
meia-vida plasmática da IgG é de 23 dias. A IgM é
a que alcança valores de adulto mais precocemente, e a IgA mais tardiamente.
Níveis de IgM acima de 20 mg/dl em sangue de cordão são sugestivos
de infecção intra-uterina. É a classe de anticorpo que predomina
na resposta imune primária. A IgM tem potente ação ativadora
do C, contudo por causa do seu tamanho (pentâmero) fica restrita ao compartimento
intravascular. Nos dois primeiros anos de vida, os níveis de IgA
são, geralmente, bem reduzidos. Valores de adultos são somente alcançados
por volta dos 8 anos de idade. Na deficiência de IgA, a concentração
sérica desta imunoglobulina é sempre menor que 7 mg/dl e o diagnóstico
só deve ser confirmado após os 4 anos de idade. De acordo com
os níveis de imunoglobulinas séricas, podemos formular as seguintes
hipóteses diagnósticas: a) IgM e IgG normais e IgA diminuída
= deficiência de IgA b) IgG e IgA normais e IgM diminuída = deficiência
de IgM c) IgG e IgA diminuídas e IgM elevada = síndrome de hiper-IgM d)
IgM, IgG e IgA diminuídas = hipogamaglobulinemia (agamaglobulinemia, hipogamaglobulinemia
transitória da infância ou imunodeficiência comum variável). 2.
Subclasses de IgG: Os anticorpos da subclasse IgG1 e IgG3 são,
na maioria das vezes, timo-dependentes e direcionados a antígenos protéicos.
Atingem níveis semelhantes aos do adulto por volta dos 2 anos de idade.
A IgG1 corresponde a cerca de 60-70% da IgG sérica total, enquanto a IgG3
cerca de 4-8% do total. A IgG2 tem importante participação na resposta
humoral contra antígenos de paredes bacterianas (carboidratos e polissacárides)
que são timo-independentes. É a que mais demora a alcançar
nível de adulto, por volta da adolescência. Contribui com cerca de
14 a 30% dos níveis de IgG total. A curva de normalidade para as
4 subclasses deve ser feita por cada laboratório, levando-se em conta os
diferentes anticorpos monoclonais utilizados para suas dosagens. A dosagem das
subclasses de IgG é um exame de custo elevado e é menos informativo
que a determinação de anticorpos específicos. Desta forma,
a avaliação funcional dos anticorpos deve ser solicitada uma vez
que antígenos proteicos estimulam, preferencialmente, a produção
das subclasses IgG1 e IgG3 enquanto que, antígenos polissacarídeos
estimulam a produção de IgG1 e IgG2. 3.Avaliação
funcional das imunoglobulinas. Uma resposta adequada a antígenos
vacinais nos leva a crer que a apresentação do antígeno a
células imune-específicas, a interação entre os linfócitos
T e B e a produção de anticorpos estejam funcionando sem anormalidades.
A resposta antígeno-específica para IgM pode ser avaliada pela pesquisa
de anticorpos aos antígenos do grupo sanguíneo ABO. Lactentes com
mais de 6 meses de idade já são capazes de produzir estes anticorpos.
Este exame não tem valia para paciente do grupo sanguíneo AB. A
avaliação funcional dos anticorpos das classe IgG pode ser realizada
pela pesquisa de IgG específica a antígenos vacinais como tétano,
sarampo, pólio e rubéola. Em imunodeficiências como agamaglobulinemia
ou imunodeficiência comum variável, além de níveis
reduzidos das concentrações das imunoglobulinas, a produção
de anticorpo está prejudicada. Estando os exames acima normais e
mantendo-se a suspeita de imunodeficiência humoral pelo quadro de infecções
bacterianas de repetição apresentadas pelo paciente, pode-se solicitar
a determinação de anticorpos a antígenos polissacarídeos.
Caso a avaliação laboratorial resulte num diagnóstico de
hipogamaglobulinemia, deve-se solicitar a determinação dos linfócitos
B. 4. Dosagem de anticorpos a antígenos polissacárides:
Os antígenos polissacárides estão presentes em
bactérias encapsuladas como Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e Streptococcus
pneumoniae. Lactentes respondem de forma inadequada a estes antígenos,
sem significar deficiência do sistema imunológico, devendo a resposta
a estes antígenos ser avaliada após os 2 anos de idade. Atualmente,
a vacina anti-Hib conjugada a antígenos proteicos tem sido utilizada de
rotina em lactentes, desta forma, a verificação de produção
de anticorpos a antígenos polissacárides não é válida
nos indivíduos que utilizaram esta vacina. A avaliação pode
ser realizada dosando-se anticorpos pré e pós imunização
(vacina polissacarídea) ao Streptococcus pneumoniae. É importante
que os níveis de anticorpos sejam dosados antes e cerca de 4 a 8 semanas
após a imunização. Os valores pré e pós-imunização
para cada sorotipo são comparados e verifica-se se houve resposta adequada
a esta bactéria. Temos dosado anticorpos aos sorotipos 1, 3, 5, 6B, 9V
e 14 do Streptococcus pneumoniae e consideramos resposta adequada ao sorotipo
quando os níveis de anticorpos são maiores ou iguais a 1,3 mcg/ml
ou ocorre um incremento de 4 vezes do valor pós em relação
ao pré-imunização. 5.Avaliação dos
linfócitos B: Os linfócitos B são responsáveis
pela produção das imunoglobulinas. Defeitos de maturação
podem se manifestar por uma redução acentuada dos níveis
de imunoglobulinas, entretanto, defeitos menores na diferenciação
destes linfócitos podem levar a produção em níveis
adequados de imunoglobulinas, mas com função alterada. A
identificação de linfócitos B tem sido realizada pela citometria
de fluxo. Os anticorpos monoclonais anti-CD19 e CD20 identificam células
pré-B e B. O CD21 é outra importante molécula funcional de
linfócitos B maduros. Os linfócitos B encontram-se em maior quantidade
no lactente que no adulto. Estes linfócitos encontram-se ausentes ou muito
reduzidos em sangue periférico de pacientes portadores de agamaglobulinemia.
Entretanto, estão em número normal ou levemente reduzido nas outras
Deficiências predominantemente humorais. | Quadro
II | Avaliação da Imunidade
Humoral Exames Inicias 1.Dosagem de IgG , IgA , IgM séricas 2.Dosagem
de Isohemaglutininas 3.Dosagem de Anticorpos Vacinais: ex: Rubéola,
Poliovirus, Sarampo Exames Complementares 1. Subclasses de IgG 2.
Níveis de anticorpos após vacinas com antígenos polissacárides
(pneumococos) 3.Quantificação de Linfócitos B (CD19) |
II
- Avaliação da Imunidade Celular As ID celulares são,
sem dúvida, as mais graves, muitas vezes vindo acompanhadas de deficiência
de anticorpos sendo, então, denominadas ID combinadas. Infecções
por fungos ou germes oportunistas são frequentes assim como infecções
virais graves. Devido a gravidade do quadro clínico, o diagnóstico
deve ser realizado o mais precocemente possível e o tratamento recomendado
em algumas destas ID é o transplante de medula óssea. Na
suspeita de deficiência da imunidade celular, devem ser realizados os seguintes
exames: 1. Hemograma para verificação de número
de linfócitos. No primeiro ano de vida, o número de linfócitos
situa-se por volta de 4000/mm3, este número tende a reduzir com a idade,
atingindo uma média de 1500/mm3 na idade adulta. Lactente com 1000 a 1500
linfócitos/mm3 é portador de linfopenia. 2.Raio-X de
tórax para visualização da imagem tímica. 3.
Testes cutâneos de hipersensibilidade tardia (DTH) A reação
cutânea de hipersensibilidade tardia (DTH - delayed test hypersensitivity)
é uma resposta inflamatória caracterizada por um infiltrado de células
mononucleares, constituído por linfócitos T de memória que,
em presença do antígeno específico, liberam citocinas recrutadoras
de macrófagos. Conforme já referido nas provas de triagem, é
o método mais simples e eficaz para a avaliação da imunidade
mediada por células. A prova consiste em inocular 0,1 ml da preparação
antigênica por via intradérmica. Nenhuma reação costuma
ser observada até 5-10 horas, após o que começa a se desenvolver
uma reação eritematosa e formação de um nódulo
que aumenta, progressivamente, até atingir o máximo 24-48 horas
após a inoculação. Reações de DTH guardam boa
correlação com outras provas de avaliação de imunidade
celular. A principal limitação para a interpretação
dos resultados negativos é que o teste pressupõe sensibilização
prévia e, em crianças, a possibilidade de que ainda não tenha
havido contato é muito grande. A utilização de vários
antígenos comuns, para os quais mais de 90% da população
responde a pelo menos dois, minimiza o problema. Dependendo da faixa etária,
as dúvidas podem persistir. Lactentes com menos de 6 semanas de vida raramente
apresentam DTH positiva. A partir dessa idade, podem apresentar resposta, se forem
previamente sensibilizados. Em nosso meio, os antígenos mais utilizados
são: PPD, Candidina, tétano, difteria e SK-SD. Anergia cutânea
está associada a uma série de condições como: infecções
sistêmicas agudas ou crônicas, deficiência de linfócito
T, doenças autoimunes, desnutrição grave e condições
que levam a imunossupressão: câncer, medicação imunossupressora
e doenças renais. 4. Quantificação de linfócitos
T "in vitro" A identificação e quantificação
de linfócitos, no sangue periférico ou em tecidos, tornou-se um
teste laboratorial relativamente comum. É de grande aplicabilidade para
caracterização de desordens linfoproliferativas, acompanhamento
de infecção por HIV e identificação de possíveis
deficiências imunológicas. Uma tentativa de classificar e
prover uma nomenclatura uniforme aos vários marcadores de superfície
iniciou em 1980 quando um esforço foi realizado no sentido de se criar
um sistema e codificar diferentes antígenos leucocitários. Foi criado
o termo "cluster of differentiation" (CD) e um número específico
foi dado para identificar estes marcadores celulares. Cada CD refere-se a uma
determinada molécula de superfície celular caracterizada por um
conjunto de anticorpos monoclonais padronizado pelos comitês internacionais. O
grande número de monoclonais gerados contra moléculas presentes
em linfócitos T permite identificar, atualmente, subpopulações
de células efetoras, assim como, diferentes estágios de ativação
e de maturação. O melhor marcador para linfócitos T totais
é o CD3, uma vez que se refere a um complexo molecular associado aos receptores
específicos (TCRs). Além de exclusivo de linfócitos T, encontra-se
presente em todas as subpopulações de células T maduras.
A caracterização de linfócitos CD3+, geralmente inclui a
quantificação das subpopulações CD4+, comumente referida
como auxiliadora (Th= T helper), e CD8+, que apresenta propriedades citotóxicas
(Tc). Essas subpopulações ainda podem ser subdivididas com base
em outros marcadores menos utilizados (CD45, CD25, etc.) A quantificação
de células "natural killer" (NK) se faz pela identificação
de CD16 e CD56. A presença de um ou dois destes marcadores em células
CD3 negativas caracteriza a população NK. O método
mais utilizado atualmente para fenotipagem de linfócitos é a citometria
de fluxo. Baseia-se na incubação do sangue periférico com
um ou mais anticorpos monoclonais (anti-CD) conjugados à fluoresceína
e/ou outro fluorocromo. A quantificação das células positivas
para o respectivo CD processa-se em microscópio de fluorescência
ou, preferencialmente, por citometria de fluxo. A utilização de
2 fluorocromos, simultaneamente, permite identificar, de uma só vez, até
4 populações celulares: duplo negativas, duplo positivas, positivas
apenas para o primeiro ou para o segundo marcador. 5. Resposta linfoproliferativa
a mitógenos "in vitro" Existem situações
nas quais a avaliação qualitativa da imunidade celular está
indicada. A melhor forma de se avaliar funcionalmente os linfócitos T é
através da resposta proliferativa a mitógenos "in vitro".
O estímulo mais amplamente utilizado é a fitohemaglutinina (PHA)
que ativa, inespecificamente, a totalidade das células T. A leitura é
feita num contador de cintilações e o resultado é dado em
contagens por minuto (cpm). Uma resposta linfoproliferativa em padrões
normais significa que etapas fundamentais da resposta mediada por linfócitos
T estão preservadas: blastogênese, células acessórias
(monócitos) funcionantes, linfócitos T produzindo IL-2 (interleucina
2 = fator de proliferação de linfócitos T) e expressando
receptores para IL-2 adequadamente e, finalmente, ausência de fatores inibidores
no soro do paciente. No caso de uma resposta linfoproliferativa deficiente, testes
adicionais poderão estabelecer qual o ponto responsável por esta
resposta insatisfatória. Nas deficiências primárias
de células T ou combinadas o número de células T e a resposta
proliferativa encontram-se reduzidos. | Quadro
III | Avaliação da Imunidade
Celular Exames Inicias 1.Hemograma : morfologia e número de
Linfócitos 2.Rx de Tórax : Imagem Tímica 3.Testes
Cutâneos de HipersensibilidadeTardia : PPD, Candidina, SK-SD, Tétano
Exames complementares 1.Quantificação de Linfócitos
T:CD3, CD4 e CD8 2.Resposta linfoproliferativa a fitohemaglutinina (PHA) |
III.
Avaliação de Fagócitos Neutrófilos são
células de vida curta que agem como células efetoras contra muitos
tipos de bactérias e fungos. Após opsonização do antígeno,
pelos anticorpos ou proteínas do sistema Complemento, uma quantidade considerável
de fagócitos é recrutada ao local de inflamação para
que ocorra a fagocitose. A fagocitose induz a um metabolismo oxidativo conhecido
como "burst" respiratório, sendo produzida uma série de
substâncias como peróxido de hidrogênio(H2O2), radicais de
hidrogênio(OH-), ânion superóxido(O2-), oxigênio (1O2),
que juntas vão ser tóxicas, resultando na morte do microorganismo
fagocitado. Um defeito no recrutamento dos neutrófilos ou em qualquer uma
das etapas de fagocitose ou da capacidade bactericida pode ser responsável
pela ID resultando em maior susceptibilidade do hospedeiro a infecções.
Nas deficiências de fagócitos, infecções supurativas
são frequentes: adenites, abscessos cutâneos e pulmonares, osteomielite
etc.. O Staphilococcus aureus é agente etiológico frequente nestas
infecções. As deficiências de neutrófilos podem
ser quantitativas ou qualitativas. Os testes para avaliação funcional,
por demadarem bastante tempo e não serem solicitados com frequência,
geralmente só são realizados em laboratórios especializados. 1.Avaliação
quantitativa de neutrófilos: Hemograma. Neutropenia tem sido
definida como uma contagem de granulócitos menor que 1500/mm3. Entretanto,
deve-se levar em conta a idade e características raciais do paciente. 2.Análise
qualitativa dos neutrófilos: 2.1.A morfologia dos neutrófilos
circulantes deve ser cuidadosamente avaliada uma vez que na síndrome de
Chediak-Higashi são encontrados inclusões gigantes intracelulares. 2.2.O
teste do NBT (nitroblue tetrazolium) é o mais utilizado para triagem de
Doença Granulomatosa crônica (CGD - chronic granulomatous disease).
É um exame de fácil execução e baixo custo que reflete
a geração de superóxido do "burst" respiratório
após a fagocitose. O NBT é um corante amarelo que passa a azul-escuro
após sofrer redução. O teste consiste em incubar as células
com o NBT e estimulá-las com PMA (phorbol myristate acetate) que age como
ativador celular. Células normais reduzem o corante e este fica azul-escuro.
Quando não há redução o corante permanece claro. Indivíduos
normais apresentam redução em mais de 90% dos neutrófilos. 2.3.
Capacidade bactericida: a morte do microorganismo intracelular é a etapa
final do fagócito frente a um microrganismo. Em algumas imunodeficiências,
esta etapa está comprometida como na CGD, síndrome Chediak-Higashi,
deficiência de molécula de adesão (LAD - leukocyte adhesion
defect), deficiência de mieloperoxidase, deficiência de glicose 6-fosfato
desidrogenase (G6PD). A avaliação da capacidade bactericida do fagócito
"in vitro" pode ser feita utilizando-se bactérias ou fungos.
Os granulócitos do paciente são incubados com cepas da bactérias
opsonizadas e, após incubação, é contado o número
de bactérias vivas. Geralmente, após 30 minutos, cerca de 90% das
bactérias estão mortas quando em presença de granulócitos
normais. 2.4 Moléculas de adesão. Para avaliar a presença
de moléculas de adesão na superfície de leucócitos
pode-se utilizar a citometria de fluxo. Na deficiência de LAD, há
uma redução da expressão do complexo CD18/CD11 devido a um
defeito intrínseco na síntese da cadeia b da molécula CD18.
2.5. A mieloperoxidase é a enzima responsável pela atividade
da peroxidase dos grânulos azurófilos dos neutrófilos e responsáveis
pela cor verde do pus. Esta enzima é importante na morte do microorganismo
pois gera produtos tóxicos após reagir com o H202 na presença
de hálides. A deficiência desta enzima leva a uma maior susceptibilidade
a infecções por fungos e staphilococos. O diagnóstico pode
ser facilmente dado utilizando uma coloração para peroxidase em
sangue periférico. 2.6. Nível sérico de IgE : é
importante na suspeita da síndrome da Hiper-IgE. Nesta síndrome,
os pacientes apresentam dermatite seborreica e atópica graves, abscessos
de repetição, principalmente pelo Staphilococcus aureus. | Quadro
IV | Avaliação dos Fagócitos Exames
Iniciais 1.Hemograma : número e morfologia dos neutrófilos
e monócitos 2.Teste do N.B.T. |
Avaliação
do Sistema Complemento As proteínas do sistema complemento (C)
são um grupo de proteínas plasmáticas termo-sensíveis
que interagem seqüencialmente após ativação, mediando
processos inflamatórios, realizando a depuração de imunocomplexos,
destruindo bactérias através da lesão da membrana e neutralizando
vírus. Há duas vias de ativação deste sistema: clássica
e a alternativa. As concentrações dos diferentes componentes
do C no sangue do RN a termo atingem valores entre 50% e 70% dos observados em
adultos normais, com exceção de C9, cujos níveis são
de 16%. Ao final do primeiro ano de idade, todos os componentes atingem valores
semelhantes aos de adultos normais. Esses baixos níveis séricos
dos componentes do C em relação aos de adultos são parcialmente
responsáveis pela atividade opsônica reduzida do soro do RN, menor
capacidade em lisar bactérias Gram-negativas e alguns vírus, menor
geração de processo inflamatório assim como quimiotaxia diminuída
de polimorfonucleares e monócitos. A triagem para avaliação
da via clássica do sistema complemento inclui a medida funcional do sistema
através da dosagem do complemento hemolítico total, que nos dá
uma idéia da integridade funcional da cascata. A dosagem do CH50
mede a atividade hemolítica de diluições séricas do
soro do paciente incubado com uma preparação padrão de hemácias
de carneiro sensibilizadas. O CH50 é a diluição do soro que
produz 50% de lise destas hemácias em condições pré-estabelecidas
e é expresso como a recíproca da diluição que dá
50% de hemólise. Deficiência dos fatores B, D ou properdina não
afetam o CH50. Desta maneira, deve-se verificar a atividade da via alternativa
(AP50). Na presença de CH50 baixo deve-se realizar as dosagens individuais
das proteínas para se saber qual é deficiente. | Quadro
V | Avaliação do Complemento Exames
Iniciais 1.Complemento Hemolítico Total (CH50) |
Referências
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