|
Relação
das Imunodeficiências Primárias Relatadas ao LAGID-Brasil
até maio de 2004
Lagid
2002
Lagid
2003
Lagid
2004
Bragid/Lagid
2007
Relato da X REUNION DO GRUPO LATINOAMERICANO DE INMUNODEFICIENCIAS
PRIMARIAS (LAGID) realizada no período de 22 a 24 de abril
de 2004 em Santiago-Chile
Um dos principais temas discutidos neste congresso foram as estratégias
que visam incrementar o diagnóstico das Imunodeficiências
Primárias na América Latina. Houve ênfase na
necessidade de educação de médicos e estudantes
de medicina sobre as Imunodeficiências Primárias. Esta
educação deve ser feita utilizando-se todos os meios
de comunicação possível, dentre eles a Internet.
É importante concentrar-se em Imunodeficiências já
bem definidas, pois facilita o diagnóstico em centros menos
especializados e por outro lado, ajuda a desmistificar a idéia
de doença rara e nunca reconhecida. Da mesma forma, faz-se
necessário o aprimoramento dos exames laboratoriais para
investigação destas doenças. Mais uma vez,
foi enfatizado a necessidade de ajuda mútua entre os grupos
participantes, com estabelecimento de centros de referência
para determinadas patologias.
Houve atualização sobre algumas imunodeficiências,
com destaque para as SCID (Imunodeficiência Grave Combinada).
O Prof. Anders Fasth (Suécia) e o Prof. Luigi Notarangelo
(Itália) abordaram o aumento do número destas doenças,
incidência (1,5/100.00), as características próprias
de cada uma delas e as bases moleculares envolvidas. O tratamento
das SCID foi tema de aula do Prof. Anders Fasth que mostrou claramente
a necessidade do transplante precoce de células tronco para
reconstituição do sistema imunológico e melhor
prognóstico do paciente. Este tema foi amplamente discutido
entre os participantes do LAGID, além da problemática
sobre falha diagnostica, encaminhamento tardio dos pacientes a centros
especializados e necessidade de protocolos específicos para
a realização de transplantes de células tronco
em nosso continente. O Prof. Luigi Notarangelo também expôs
sobre a Hiper-IgM, mostrando os diferentes tipos, modo de herança,
características clínicas e mecanismos básicos
envolvidos. Ressaltou a alta proporção de infecção
pelo P.carinii (30-50%) e de acometimento hepático (15-16%)
na síndrome de Hiper-IgM ligada ao X.
Com relação às Deficiências Predominantes
de Anticorpos, o Prof. Hartmut Peter (Alemanha) apresentou uma atualização
da Imunodeficiência Comum Variável, mostrando sua classificação
de acordo com o número de células B e T do paciente,
e comentou sobre a deficiência de ICOS, presente uma pequena
porcentagem (3-5%) destes pacientes. A deficiência de ICOS
foi abordada de modo mais detalhado na aula do Prof. Bodo Grimbacher,
(Alemanha), que discutiu a importância desta molécula
na ativação dos linfócitos T. A célula
T ativada expressa essa molécula que se liga na molécula
de ICOS-L (ligante) presente na célula B. Na deficiência
de ICOS há redução do número de linfócitos
B e esses não apresentam memória, sendo na maioria
CD27-.
A Profa. Mary Ellen Conley (USA) apresentou uma conferência
sobre Agamaglobulinemia ligada ao X (XLA). Falou sobre a história
científica desta doença: descoberta por Bruton em
1952, o relato da herança ligada ao X (1953) e só
em 1971 foi descoberto que a XLA estava associada à ausência
de células B. Mais recentemente, em 1993 foi identificado
o gene responsável pela doença, a Btk (Bruton tirosino-quinase),
presente no braço longo do cromossomo X. Ressaltou a dificuldade
de associação entre fenótipo/genótipo
e mostrou outros genes envolvidos na Agamaglobulinemia congênita.
Também foram mostradas as manifestações clínicas
mais freqüentes assim como os agentes etiológicos predominantes,
reforçando as infecções por Micoplasma.
Dentre as deficiências de fagócitos, houve uma conferência
do Prof. Antônio Condino Neto (Brasil) sobre Doença
Granulomatosa Crônica. Foram apresentados os resultados das
pesquisas clínicas, métodos diagnósticos e
estudos genético-moleculares da desta doença na América
Latina. Houve dois destaques: o encontro de novas mutações,
mostrando a importância do estudo genético em diferentes
populações e o risco da vacinação com
BCG para este grupo de pacientes, assim como para outros imunodeficientes
celulares graves.
Houve um simpósio sobre Transplante de Medula Óssea,
no qual o Dr Matias Oleastro (Argentina) falou sobre o registro
latinoamericano de TMO do qual o Brasil faz parte, sendo representado
pela Dra. Carmem Bonfim, a qual expôs sobre o tema de Indicações
de Transplantes em IDPs. A última parte deste simpósio
coube à Dra. Lily Leiva (USA) que expôs sobre a reconstituição
do sistema imunológico pós-transplante. Dr Matias
Oleastro reuniu informações sobre 85 pacientes submetidos
a transplante por imunodeficiências primárias na América
Latina. Destes, 42 pacientes foram transplantados por SCID, a maioria
utilizando doadores não idênticos (32 pacientes), porém
os resultados obtidos nesta doença ainda está abaixo
do encontrado na experiência internacional provavelmente pelo
encaminhamento tardio e utilização da BCG ao nascimento.
Vários transplantes também foram realizados em pacientes
com Síndrome de Wiskott Aldrich ( 24 pacientes), Síndrome
de Chediak-Higashi (8 pacientes), doença granulomatosa crônica
e outras imunodeficiências. O registro precisa ser estabelecido
e todos os países da América latina foram convidados
a participar. Dra Carmem Bonfim comentou sobre as diversas indicações
de transplante nas imunodeficiências primárias, salientando
as dificuldades encontradas em cada país principalmente na
disponibilidade de técnicas de depleção de
células T para os pacientes que não tenham doadores
familiares compatíveis. Dra Lily Leiva também apresentou
vários aspectos da recuperação imunológica
nestes pacientes e enfatizou a necessidade de todos os centros de
transplante utilizarem um painel básico para análise
destes dados.
O Prof. Ricardo Sorensen, conhecido de todos nós e idealizador
do LAGID, apresentou um histórico sobre o LAGID*, suas perspectivas
e desafios. Houve ampla discussão sobre o registro on-line
de pacientes à semelhança do ESID. O Prof. Bodo Grimbacher,
(Alemanha), fez uma demonstração sobre o registro
eletrônico do ESID e ofereceu os préstimos para auxiliar
o LAGID na implantação de seu registro. Vantagens:
o registro on-line, permite que o próprio médico ingresse
os dados sobre sua casuística, usando seu código e
senha de acesso. Desvantagens: difícil começo. Mas
chegou-se a um consenso sobre a necessidade deste registro, sendo
a única forma de conhecermos em profundidade nossa casuística.
No próximo ano, o congresso será realizado no México,
data ainda a ser confirmada. A partir de 2005, o LAGID acontecerá
a cada 2 anos, intercalado com o congresso do ESID. O comitê
científico formado por: Antônio Condino Neto (Brasil),
Magda MS Carneiro-Sampaio (Brasil), Arnoldo Quezada (Chile) e Silvia
Danielen (Argentina) foi re-eleito. O comitê de transplante
de células tronco é composto por: Carmem Bonfim (Brasil),
Matias Oleastro (Argentina), Julia Palma (Chile), Francisco Espinoza
(México) e Lily Leiva (USA). Foi estabelecido o comitê
consultivo incluindo os Profs. Anders Fasth (Suécia), Luigi
Notarangelo (Itália) e Mary Ellen Conley (USA). O presidente
do comitê científico, Antônio Condino-Neto, é
o representante do LAGID na ausência do Prof. Ricardo Sorensen.
*LAGID: O primeiro encontro aconteceu no Chile em 1993 onde apenas
4 países faziam parte do grupo. Os encontros de 1994 e 1996
foram na Argentina e Chile respectivamente. Em 1997, o congresso
foi na Colômbia e, nesta época, 8 países já
formavam o LAGID. Em 1998, foi a primeira vez que o congresso aconteceu
em nosso país, na cidade de São Paulo. Neste ano,
houve a primeira publicação do grupo: Zelasko, M:
Carneiro-Sampaio, MMS, Cornejo de Luigi, M; Olarte, DG; Madrigal,
OP; Perez, RB; Cabello, A; Rostan, MV; Sorensen, RU - Primary Immunodeficiency
Diseases in Latin America: First report from eight Coutries participating
in the LAGID. Journal of Clinical Immunology, 18: 161-166, 1998.
Este trabalho teve como objetivo a publicação da casuística
das imunodeficiências primárias da América Latina.
Em 1999, o congresso foi sediado no Uruguay, em 2000 na Costa Rica
e em 2001 novamente na Argentina. Em 2002, a cidade de Campinas
em São Paulo foi o local do VIII encontro do LAGID. Em 2003,
este encontro foi no México onde foi definido a necessidade
de formação do comitê científico e do
comitê para transplante de células tronco. O X encontro
foi em Santiago- Chile (2004).
|