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Perguntas e respostas
sobre imunodeficiências primárias
Texto elaborado pelos Drs Pérsio Roxo Júnior e
Tatiana Lawrence
1. O que é imunodeficiência?
2. Estas alterações
do sistema imunológico são hereditárias?
3. Todas as crianças com
infecções repetidas têm imunodeficiência?
4. Os recém-nascidos são
imunodeficientes?
5. Crianças com resfriados
mensais devem ser investigadas para imunodeficiência?
6. As imunodeficiências só
se manifestam como infecções repetidas?
7. Crianças com imunodeficiências
devem ser seguidas por longo tempo?
8. As imunodeficiências podem
levar à morte?
9. Existe tratamento para as imunodeficiências?
10. Realizando-se estes tratamentos
não será mais necessário o uso de antibióticos?
11. É necessária
alguma restrição alimentar para os pacientes com imunodeficiência?
12. Que problemas o paciente pode
apresentar se não produzir anticorpos?
13. Pacientes que recebem anticorpos
mensalmente deverão ser tratados pela vida toda?
14. Existem riscos deste tratamento
com anticorpos?
15. Pacientes com imunodeficiências
podem ter filhos?
16. Pacientes com imunodeficiências
podem receber vacinas?
1. O que é imunodeficiência?
Nosso sistema imunológico é como um exército,
onde existem diferentes armas, todas importantes para manter a defesa
do organismo de forma adequada. A primeira linha de defesa é
formada por células do sangue, denominadas glóbulos
brancos (fagócitos), e por proteínas do sangue capazes
de destruir microorganismos (sistema complemento). Quando estes
componentes não conseguem destruir os microorganismos, o
organismo lança mão de células específicas,
denominadas linfócitos T e B.
Imunodeficiência é um grupo de doenças, caracterizadas
por um ou mais defeitos do sistema imunológico. Como conseqüência
destas alterações, o indivíduo se torna mais
propenso a apresentar grande número de infecções.
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2. Estas alterações do sistema
imunológico são hereditárias? Existem dois grupos de alterações imunológicas. O primeiro
grupo é constituído por defeitos hereditários,
provenientes dos pais, e geralmente iniciam-se na infância,
embora em algumas situações só se manifeste
na idade adulta. Nestes casos, outros membros da família
podem ser também, afetados. Estas alterações
são conhecidas como imunodeficiências primárias
ou congênitas. O segundo grupo é constituído
por defeitos não hereditários, mas secundários
a outras condições, como, por exemplo, desnutrição
e infecção pelo HIV (vírus causador da AIDS).
São conhecidas como imunodeficiências secundárias
ou adquiridas, sendo estas muito mais freqüentes que as imunodeficiências
primárias.
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3. Todas as crianças com infecções
repetidas têm imunodeficiência? Não. Estima-se que entre as crianças portadoras de infecções
repetidas encaminhadas para investigação, aproximadamente
50% delas sejam imunologicamente normais, 30% sejam alérgicas,
10% sejam portadoras de outras doenças não imunológicas,
e apenas 10% sejam portadoras, realmente, de alguma imunodeficiência.
Nos casos de suspeita de imunodeficiência, o médico
deve fazer uma avaliação completa do sistema imunológico,
para verificar o seu funcionamento.
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4. Os recém-nascidos são imunodeficientes? Não. Os recém-nascidos recebem anticorpos passivamente da mãe,
através da placenta, nascendo, desta forma, com níveis
adequados de anticorpos, o que lhes propicia proteção
contra infecções nos primeiros meses de vida. Porém,
durante o primeiro ano de vida, a criança passa por um processo
fisiológico de imaturidade de seu sistema imunológico,
o que a torna mais vulnerável a infecções.
Neste sentido, o aleitamento natural, que é uma fonte rica
de anticorpos e outros fatores de defesa, desempenha importante
papel na proteção do lactente, especialmente no primeiro
ano de vida.
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5. Crianças com resfriados mensais devem
ser investigadas para imunodeficiência? Não. Resfriados são infecções virais, geralmente
sem gravidade, que frequentemente acometem crianças saudáveis,
especialmente as que freqüentam creches e escolas. Portanto,
desde que não haja complicações para infecções
mais graves, os resfriados freqüentes não sugerem alterações
da imunidade.
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6. As imunodeficiências só se manifestam
como infecções repetidas? Não. Algumas vezes as imunodeficiências podem se manifestar como
diarréia crônica, retardo de crescimento, baixo ganho
de peso, doenças alérgicas graves, doenças
autoimunes (por exemplo, lúpus e artrite reumatóide),
tumores e alterações no sangue (anemia e diminuição
de glóbulos brancos).
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7. Crianças com imunodeficiências
devem ser seguidas por longo tempo? Sim. Algumas imunodeficiências podem apresentar complicações
e evoluir para outras doenças, especialmente a partir da
adolescência. Desta forma, as crianças deverão
ter acompanhamento médico até a vida adulta.
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8. As imunodeficiências podem levar à
morte? O prognóstico das imunodeficiências depende de uma série
de fatores. A idade da criança na época do diagnóstico
é extremamente importante. Quanto mais precoce o diagnóstico,
melhores são as chances de uma boa qualidade de vida para
o paciente. Por outro lado, quando o diagnóstico é
feito tardiamente, a probabilidade de ocorrência de complicações
e seqüelas é muito maior, inclusive com risco de morte.
Por isso, é muito importante que as crianças sejam
levadas rotineiramente ao pediatra, desde os primeiros meses de
vida. Outro fator que muito influencia no prognóstico é
o tipo de imunodeficiência, pois algumas delas envolvem risco
de morte, caso não sejam tratadas rapidamente.
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9. Existe tratamento para as imunodeficiências? Existem diferentes formas de tratamento, dependendo da imunodeficiência.
Algumas modalidades de tratamento consistem de medicações
para estimular a produção de glóbulos brancos,
a reposição mensal de anticorpos, a terapia gênica
(ainda não disponível no Brasil), e o transplante
de medula óssea, já realizado em nosso país
para várias imunodeficiências. O mais importante é
que as imunodeficiências sejam corretamente diagnosticadas,
para que o tratamento mais adequado seja indicado o mais precocemente
possível.
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10. Realizando-se estes tratamentos não
será mais necessário o uso de antibióticos? Não é bem assim. Estas formas de tratamento têm a finalidade
de melhorar o funcionamento do sistema imunológico, mas o
uso de antibióticos será necessário todas as
vezes que ocorrerem infecções, como por exemplo otites,
sinusites ou pneumonias. Há casos, também, em que
o paciente já apresenta seqüelas decorrentes das múltiplas
infecções, e o uso de antibióticos continuamente
pode ser necessário. Também existem algumas imunodeficiências,
cujo único tratamento recomendado no momento é o uso
contínuo de antibióticos para reduzir as infecções.
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11. É necessária alguma restrição
alimentar para os pacientes com imunodeficiência? Não. Recomenda-se uma alimentação saudável e a
mais balanceada possível, fornecendo todos os nutrientes
necessários. Porém, deve-se ter muito cuidado com
as frutas e verduras cruas ingeridas fora de casa, pois elas podem
não ser bem lavadas e transmitir infecções
e parasitoses intestinais. Desta forma, recomenda-se que os pacientes
comam frutas e verduras cruas apenas em suas próprias casas,
ou de familiares cujo cuidado no manuseio seja conhecido.
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12. Que problemas o paciente pode apresentar
se não produzir anticorpos? Quando não se produz anticorpos ou quando eles não estão
funcionando adequadamente, o risco do desenvolvimento de infecções
repetidas é muito alto, havendo necessidade do uso de antibióticos
com freqüência. Ademais, estas infecções
podem ser graves, necessitando hospitalização.
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13. Pacientes que recebem anticorpos mensalmente
deverão ser tratados pela vida toda? Para algumas imunodeficiências este é o tratamento recomendado
no momento em qualquer parte do mundo. Então o tempo que
vai receber esta medicação é indeterminado
ou até surgir um outro tipo de tratamento.
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14. Existem riscos deste tratamento com anticorpos? Os anticorpos são derivados do sangue. O risco de adquirir uma doença
utilizando esta medicação é muito baixo. O
processo de fabricação desta medicação
passa por uma série de etapas, que têm por objetivo
retirar quaisquer microorganismos que por ventura possam estar presentes.
Entretanto, os pacientes são sempre monitorados com exames
de sangue, e sempre terá um medico que o acompanha no decorrer
do tratamento.
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15. Pacientes com imunodeficiências podem ter filhos?
A imunodeficiência, por si só, não contra-indica a gravidez
ou a possibilidade de ter filhos. Porém, para algumas imunodeficiências
há um risco significativo de os filhos apresentarem o mesmo
problema. Pais consangüíneos (parentes entre si) também
têm uma chance maior de terem filhos com imunodeficiência.
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16. Pacientes com imunodeficiências podem
receber vacinas? Depende do tipo de imunodeficiência. Em algumas situações,
como deficiências do sistema complemento ou de fagócitos,
são recomendadas, inclusive, as vacinas especiais não
oferecidas à população pela rede pública.
Entretanto, as vacinas de microorganismos vivos atenuados (por exemplo,
BCG, febre amarela e tríplice viral) são contra-indicadas
em determinadas imunodeficiências. O pediatra poderá
fazer as orientações necessárias.
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